Maranhão terá primeira universidade em território indígena do Brasil
Projeto inédito, apresentado na COP30, unirá saberes tradicionais e estrutura acadêmica para promover a autossustentabilidade e preservação cultural.
Por Administrador
Publicado em 13/11/2025 09:53
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Maranhão sediará a primeira universidade em território indígena do Brasil, na Terra Indígena Arariboia, como um marco de valorização cultural e sustentabilidade. (Foto: Reprodução)

O Maranhão anunciou uma iniciativa pioneira globalmente: a implantação da primeira universidade em território indígena do Brasil, localizada na Terra Indígena Arariboia, no município de Amarante do Maranhão. O projeto foi oficialmente apresentado durante o primeiro dia da COP30, em Belém, e é coordenado pelo Instituto Tukàn, contando com o apoio do Governo do Estado.

 

O objetivo central da nova instituição é integrar os saberes tradicionais indígenas com a estrutura acadêmica, criando um modelo de educação superior focado na autossustentabilidade, na preservação ambiental e na valorização cultural dos povos originários. A construção do projeto está sendo realizada com a participação direta das comunidades, por meio de consultas e escutas conduzidas pela Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (Fapema).

 

Destaque na COP30 e Envolvimento Comunitário

 

Durante o evento, o governador Carlos Brandão ressaltou o caráter inovador da proposta: “Esta é uma iniciativa pioneira para a formação superior dos povos indígenas do Maranhão, aliando saberes tradicionais e acadêmicos. É uma forma de garantir educação, preservar a cultura e inspirar outros projetos semelhantes pelo mundo”, afirmou.

 

A diretora-geral do Instituto Tukàn, Fabiana Guajajara, destacou a grandiosidade do projeto, que tem potencial para envolver mais de 253 aldeias e 14 mil indígenas em uma área superior a 413 mil hectares. “É um projeto ambicioso, mas viável. O diagnóstico mostra que 92% do território permanece intacto. Essa universidade vai fortalecer a proteção da floresta e promover a autossustentabilidade”, explicou Fabiana.

 

Modelo Educacional e Histórico

 

O novo modelo educacional proposto integrará áreas como bioeconomia, ciência, formação ambiental e valorização das tradições. A universidade transformará o território, que já conta com a atuação dos Guardiões da Floresta, em um espaço permanente de ensino e pesquisa dedicado à defesa da Amazônia e ao desenvolvimento sustentável.

 

Segundo Fabiana Guajajara, a iniciativa potencializará o trabalho já existente: “No Maranhão, são 18 territórios e 12 povos, totalizando 57 mil indígenas — um verdadeiro acervo de conhecimento que o mundo precisa conhecer”.

 

O projeto é liderado pelo Centro de Saberes Tentehar Tukàn e representa um marco político, educacional e ambiental. De acordo com o IBGE (2022), o Maranhão abriga a maior população indígena do Nordeste, e a universidade simboliza o protagonismo desses povos na construção de um futuro sustentável e plural.Projeto inédito, apresentado na COP30, unirá saberes tradicionais e estrutura acadêmica para promover a autossustentabilidade e preservação cultural.

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