ALCÂNTARA (MA) – O que deveria ser um marco histórico para o Programa Espacial Brasileiro terminou em acidente na noite desta segunda-feira (22). O foguete HANBIT-Nano, da empresa sul-coreana Innospace, explodiu aproximadamente 50 segundos após decolar do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA). Este foi o primeiro lançamento de caráter estritamente comercial realizado a partir de solo brasileiro.
O lançamento, ocorrido às 22h13, foi visível a olho nu em cidades próximas e em São Luís. Durante a transmissão oficial, a equipe técnica relatou uma anomalia em voo pouco depois de o veículo atingir a velocidade supersônica (Mach 1) e passar pelo ponto de maior estresse aerodinâmico (Max Q).
Investigação e danos Em nota oficial, a Força Aérea Brasileira (FAB) confirmou que, após a falha, o veículo colidiu com o solo. Equipes de segurança e do Corpo de Bombeiros foram deslocadas para a área da queda para analisar os destroços. A FAB ressaltou que todos os protocolos de segurança, rastreio e coleta de dados sob sua responsabilidade foram cumpridos rigorosamente, garantindo que não houvesse riscos a pessoas.
As causas exatas do problema técnico ainda estão sendo apuradas por engenheiros da Innospace em conjunto com autoridades brasileiras.
Prejuízo científico A Operação Spaceward, como foi batizada a missão, levava uma carga valiosa:
Cinco satélites de órbita baixa (LEO).
Três dispositivos de pesquisa científica desenvolvidos por instituições do Brasil e da Índia.
O foguete, com 21,8 metros de comprimento e 20 toneladas, deveria colocar os equipamentos em uma altitude de 300 km.
Importância estratégica de Alcântara Apesar do desfecho negativo do lançamento, a operação simboliza a entrada definitiva do Brasil no mercado espacial global, viabilizada pelo Acordo de Salvaguardas Tecnológicas firmado com os Estados Unidos em 2019.
A base de Alcântara continua sendo um dos ativos mais valiosos do setor no mundo devido à sua localização privilegiada próxima à Linha do Equador, o que permite uma economia de combustível de até 30% em lançamentos para certas órbitas, atraindo o interesse de empresas privadas internacionais como a Innospace.