Renda e Cor Definem Conclusão do Ensino Médio no Brasil, Aponta Estudo
Pesquisa do Todos pela Educação revela avanço na inclusão, mas mantém disparidades significativas, principalmente entre os mais pobres.
Por Administrador
Publicado em 18/11/2025 09:30
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Desigualdade na educação: taxa de conclusão do ensino médio é 33,8% menor entre os 20% de estudantes mais pobres do país. (Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil)

Um estudo recente da organização Todos pela Educação indica que, apesar do avanço na quantidade de estudantes que concluem o ensino fundamental e médio na idade correta, o país ainda enfrenta um desafio considerável na redução das disparidades sociais e raciais na educação.

 

A pesquisa analisou dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) do IBGE, comparando os anos de 2015 e 2025, e concluindo que a renda e a cor/raça são os fatores mais determinantes para a não conclusão dos ciclos de ensino.

 

Avanço na Conclusão em Uma Década

 

A pesquisa aponta melhorias significativas nas taxas de conclusão da educação básica na idade correta (16 anos para o fundamental e 19 para o médio):

 

Ensino Fundamental (até 16 anos): A taxa de concluintes subiu de 74,7% em 2015 para 88,6% em 2025, um crescimento de 13,9 pontos percentuais.

 

Ensino Médio (até 19 anos): O avanço foi ainda maior, passando de 54,5% para 74,3%, com aumento de 19,8 pontos percentuais.

 

Manoela Miranda, gerente de Políticas Educacionais do Todos pela Educação, atribuiu o avanço a "melhorias no ensino ao longo da última década, políticas importantes, pedagógicas, na base de formação de professores, que melhoram o ensino de fato".

 

Disparidade de Renda é o Fator Mais Forte

 

Ao cruzar os dados, a renda se mostrou o fator mais determinante para a conclusão do ensino médio:

 

A diferença na taxa de conclusão entre os 20% mais pobres e os 20% mais ricos caiu 15,2 pontos percentuais ao longo da década, mas a disparidade ainda é muito alta.

 

Em 2025, a taxa de conclusão entre os 20% mais pobres é de 60,4%, enquanto entre os 20% mais ricos atinge 94,2% – uma diferença de 33,8 pontos percentuais.

 

Segundo o estudo, mantido o ritmo atual, os jovens mais pobres só alcançarão as mesmas chances dos mais ricos de concluir o ensino médio em mais de duas décadas.

 

Disparidade Racial e de Gênero

 

Embora a renda seja o principal fator, a cor ou raça também revela desigualdades importantes:

 

Em 2025, a taxa de conclusão do ensino médio foi de 81,7% para estudantes brancos e amarelos, e de 69,5% para pretos, pardos e indígenas (PPI), uma diferença de 12,2 pontos percentuais.

 

A questão racial é determinante mesmo entre os mais pobres:

 

Homens mais pobres PPIs têm a menor taxa de conclusão, com 78,6%.

 

Homens mais pobres não-PPIs têm média de 86% de conclusão.

 

Diferenças Regionais Persistem

 

O estudo também ressalta a disparidade entre regiões, apesar do avanço no Norte e Nordeste. No Ensino Médio, as maiores evoluções na década ocorreram no Norte (alta de 25,7 pontos percentuais, chegando a 69,1% em 2025) e Nordeste (avanço de 23 pontos percentuais, chegando a 69,3%).

 

Entretanto, as taxas do Norte e Nordeste continuam abaixo das demais regiões:

 

Sudeste: 79,6%

 

Centro-Oeste: 75,4%

 

Sul: 73,6%

 

Para a organização, é urgente ampliar e acelerar os esforços, focando em políticas de apoio à continuidade de estudos, complementação de renda e uso do ensino integral para evitar a evasão escolar.

 

Fonte: Agência Brasil

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