Abin Alerta para "Desafios de Inteligência 2026": segurança eleitoral e ataques de IA estão no foco
Agência Brasileira de Inteligência antecipa riscos para o Estado e a sociedade no próximo ano, destacando a transição tecnológica e a geopolítica como fatores centrais.
Por Administrador
Publicado em 02/12/2025 09:53
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A Abin identificou cinco desafios cruciais para 2026, incluindo a segurança do processo eleitoral, a transição para criptografia pós-quântica e os ataques cibernéticos autônomos com Inteligência Artificial. (Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil)

A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) divulgou, nesta terça-feira (2), a publicação "Desafios de Inteligência Edição 2026," que projeta as principais ameaças à segurança do Estado brasileiro e da sociedade para o próximo ano. A iniciativa, que visa assessorar a Presidência da República e formular políticas de segurança, aponta a segurança no processo eleitoral e os ataques cibernéticos autônomos com Inteligência Artificial (IA) como desafios cruciais, especialmente em um ano de eleições gerais.

 

Os Cinco Maiores Desafios para 2026

 

O relatório, elaborado com a contribuição de especialistas de universidades, instituições de pesquisa e agências governamentais, detalha cinco áreas de risco direto e indireto para a segurança do país:

1. Segurança no processo eleitoral de 2026.

2. Transição para a criptografia pós-quântica.

3. Ataques cibernéticos autônomos com agentes de inteligência artificial.

4. Reconfiguração das cadeias de suprimento global.

5. Dependência tecnológica, atores não estatais e interferência externa.

 

Eleições Gerais e a Deslegitimação Democrática

 

A Abin avalia que o pleito de 2026 enfrenta ameaças "complexas e multifacetadas," cujo "vetor principal" é a tentativa de deslegitimação das instituições democráticas, citando como exemplo os eventos de 8 de janeiro de 2023. O cenário é agravado pela manipulação de massas, a disseminação de desinformação em larga escala, a crescente influência do crime organizado em territórios e o risco de interferência externa para desestabilizar o processo eleitoral.

 

Ameaças da Era Digital: IA e Soberania Digita l

 

A rápida evolução tecnológica impõe a necessidade de garantir a soberania digital. O diretor-geral da Abin, Luiz Fernando Corrêa, destacou a competição acirrada pela liderança no desenvolvimento e uso da IA.

 

Ataques de IA: A Abin alerta que a IA pode se tornar um "agente ofensivo autônomo, capaz de planejar, executar e adaptar ataques," elevando o risco de que incidentes cibernéticos resultem em conflitos militares.

 

Criptografia Pós-Quântica: Com o advento da computação quântica (previsto para 5 a 15 anos), a criptografia atual será obsoleta. A agência considera urgente a transição para algoritmos pós-quânticos que não dependam de tecnologias estrangeiras, um pilar da segurança governamental.

 

Dependência Tecnológica: A dependência estrutural de hardwares estrangeiros e a concentração de poder em big techs são vulnerabilidades severas. A Abin vê essas empresas como "vetores de influência de seus Estados-sede," monopolizando dados e ameaçando a autonomia decisória nacional. Essa dependência facilita a interferência externa, como a guerra cognitiva catalisada pela desinformação algorítmica e a espionagem de dados sensíveis.

 

Geopolítica e Cadeias de Suprimento

 

O cenário global é de multipolaridade desequilibrada e desinstitucionalizada, marcado pela competição estratégica entre EUA e China.

 

Pressão Econômica e Militar: O relatório destaca o uso de instrumentos econômicos como pressão política e a escalada de ameaças militares a países latino-americanos fronteiriços com o Brasil.

 

Reconfiguração Global: A conjuntura é de uma "desglobalização deliberada," impulsionada pela ascensão chinesa, a guerra econômica com os EUA e vulnerabilidades expostas pela pandemia.

 

Dupla Dependência Brasileira: O Brasil se encontra em uma posição de dupla dependência: da China para o superavit comercial via commodities, e do capital e tecnologias ocidentais (especialmente dos EUA) para investimentos.

 

Entorno Estratégico: A América do Sul é vista como um "espaço cada vez mais permeável às disputas geopolíticas globais" por recursos estratégicos como lítio, terras raras, petróleo e os recursos da Bacia Amazônica.

 

Crise Climática e Demografia

 

As mudanças climáticas e populacionais geram riscos e oportunidades.

 

Impacto Climático: A Abin reitera que o aquecimento global se encontra em ritmo acelerado, com 2024 sendo o ano mais quente já registrado (ultrapassando $1,5^\circ\text{C}$ da média pré-industrial). Catástrofes têm aumentado no Brasil, com perdas anuais estimadas em R$ 13 bilhões. A seca amazônica e as inundações no Rio Grande do Sul são citadas como exemplos.

 

Vulnerabilidades Setoriais:

 

 

Energia: O desmatamento e a redução dos "rios voadores" ameaçam a situação energética, com perdas anuais estimadas em R$ 1,1 bilhão.

 

Segurança Alimentar: Estimativas indicam que 46% das pragas agrícolas podem piorar até 2100.

 

Litoral: A elevação do nível do mar ameaça infraestruturas críticas e populações costeiras.

 

Transição Demográfica: O aumento da longevidade e a queda da taxa de fecundidade reconfiguram o futuro. Um alerta é para a saída de brasileiros qualificados em um contexto de competição por talentos. A chegada de migrantes estrangeiros impõe desafios à segurança nas fronteiras e à prestação de serviços essenciais.

 

Fonte: Agência Brasil

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